Aspectos Gerais de Critérios de Projeto de Subestações ao tempo e abrigadas

A finalidade deste artigo é discorrer sobre alguns critérios gerais de projeto de subestações ao tempo e abrigadas. Existe uma série de normas relacionadas ao tema, notadamente: NR-10, NR-15, NR-23, ABNT NBR 13231, ABNT NBR 14039, ABNT NBR 5419, IEC 60079, IEEE STD 80, só para citar algumas, que certamente deverão ser consultadas para a elaboração de um projeto seguro e conforme as melhores práticas de Engenharia.

O primeiro critério de projeto básico, embora simples e elementar é muitas vezes preterido: a saber, dispor a subestação num arranjo simples, funcional e compacto; isso visa otimizar não apenas os custos de implantação com a subestação (uma vez que geralmente a parte de alvenaria e a aquisição e instalação dos equipamentos elétricos de potência integram as parcelas mais significativas do orçamento), mas sobretudo promover uma organização na disposição dos equipamentos de forma a compor a melhor configuração funcional, para o melhor desempenho da infraestrutura elétrica da subestação.

Em outras palavras, citando por exemplo a disposição das chaves seccionadoras próximas aos transformadores de potência; estes, por sua vez, devem estar próximos com os painéis de entrada, como os centros de distribuição de carga, no interior da subestação, propiciando o menor caminho (trajeto) dos barramentos ou condutores que irão interligar tais equipamentos, promovendo ganhos em eficiência.

Assim, o arranjo bem planejado não prescinde da maturação através das fases básicas de um projeto: primeiro o básico, quando são definidas as cargas e disposição sugerida dos maiores equipamentos, seguido do detalhamento (projeto executivo), quando enfim serão esmiuçadas as características da instalação.

Um segundo ponto fundamental como importante critério de projeto de subestações é o horizonte do projeto, isto é, há de se pensar na subestação a longo prazo, prevendo ampliações, mudanças, movimentações e aquisição de novos equipamentos e cargas futuras; não é recomendado que uma subestação seja feita “sob medida”, desprezando as condições supracitadas.

Existem igualmente alguns aspectos inerentes às questões de segurança, no que tange à detecção e alarme de incêndio, combate de incêndio, proteção passiva, iluminação de emergência, paredes corta-fogo, saídas de emergência, rota de fuga e sinalização de segurança. Todos esses quesitos devem ser bem estudados no projeto de subestações, para garantir a segurança e confiabilidade das instalações.

O sistema de iluminação é um ponto também muito relevante, o qual precisa ser bem projetado. Não apenas pela questão ergonômica, mas sobretudo pela segurança durante os trabalhos de operação e manutenção realizados na subestação.

No que tange ao sistema de aterramento, sua importância é fundamental. É recomendado que o projeto do mesmo seja elaborado conforme a norma internacional IEEE Std 80, que fornece um completo guia de segurança para aterramento em subestações de corrente alternada. E ainda nesse tema, cabe lembrar a importância da equipotencialização e aterramento das carcaças metálicas e condutos presentes na subestação, atentando também para os requisitos de compatibilidade eletromagnética das instalações.

Com o advento da automação em subestações, atualmente equipamentos como relés digitais e outros como switches e roteadores integram a instalação presente nestes ambientes, portanto o assunto em voga merece especial atenção.

Acerca da climatização de subestações, pela experiência, além de colaborar com o conforto dos trabalhadores que intervêm nessas instalações, também propicia, em geral, um prolongamento da vida útil dos equipamentos presentes, notadamente os mais sensíveis.

A ABNT NBR 13231 de Sistemas de Proteção contra Incêndios atualmente condensa todos os conhecimentos acerca deste tema, com última revisão em 2015; e a ABNT NBR 17240 versa sobre Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio em Subestações.

O controle de acesso em subestações também deve ser considerado como um requisito de projeto. Escrevi um artigo sobre o tema neste link.

No que tange às saídas de emergência, o assunto é tratado na NR-23; vale ressaltar a importância do projeto das portas de acesso, com abertura para fora, dotadas de barra anti-pânico, sem obstrução das saídas de emergência. Infelizmente ainda nos dias atuais nos defrontamos com este tipo de problema, com subestações muitas vezes funcionando como depósitos de materiais os mais diversos, o que repercute negativamente para situações de contingência e emergência.

Ainda sobre as saídas de emergência, um ponto é importante é que elas devem estar dispostas de forma que ao evadir o trabalhador não tenha que percorrer mais de 15m, e lembrar ainda a prática recomendada que os acessos de pessoas e equipamentos sejam diferentes.

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