Compatibilidade Eletromagnética: padrão de qualidade, procedimento de testes e o problema das interferências eletromagnéticas

2.2. Padrão de qualidade (Diretiva Européia EMC – marcação CE em equipamentos)
O fabricante assume a responsabilidade legal que o equipamento cumpre os requisitos de compatibilidade eletromagnética da Comunidade Européia (controle do nível de ruído emitido e do recebido, sem se perturbar).
Para atingir este padrão, é necessário pensar no padrão de qualidade desde a concepção do produto, buscando investigar fenômenos eletromagnéticos que podem afetar os equipamentos. Assim, foi estabelecida uma emissão máxima de perturbações (para os emissores) e um limite superior para a imunidade desejada, para diminuir a sensibilidade (para os receptores).

Obs.: O equipamento em teste não apresenta a mesma radiação em todas as direções.

2.3. Padronização dos testes
O teste é realizado girando-se o equipamento em torno do seu próprio eixo e a antena variando verticalmente, de 1 a 4 m, com distância entre eles de 3m.
Para realizar os testes deve-se desprezar o ruído do ambiente. Geralmente são utilizadas salas blindadas.
Nestes testes são medidas as emissões eletromagnéticas diretas e refletidas no chão, paredes e teto. No caso das câmaras anecóicas, as emissões refletidas são atenuadas, ficando só a reflexão do chão.

2.4. O problema das Interferências Eletromagnéticas
A instalação física (cabos, eletrodutos, eletrocalhas) dos sistemas de automação, eletrônica e instrumentação deve estar apropriada para os equipamentos eletrônicos sensíveis.
Quando estão presentes as interferências eletromagnéticas, surge uma diferença de potencial em altas freqüências. Dada a relação XL = .L, se a freqüência é alta, para qualquer valor de indutância, a reatância indutiva é muito alta.
Ex.:
Para F=1MHz, um comprimento de 30m de cabo, Z=330 Ω
Para Corrente Contínua, um comprimento de 30m de cabo, Z=0,001 Ω

Devido às interferências eletromagnéticas, entre o emissor e o receptor é formado um acoplamento que faz surgir uma corrente de ruído, que gera uma elevação de tensão.

Entre os problemas típicos de incompatibilidade eletromagnética, estão:

• Tensões induzidas em linhas metálicas – geradas a partir de freqüências até 9 kHz, com tensões que podem formar acoplamento resistivo, indutivo e/ou capacitivo;
• Interferências com o sistema de rádio (UHF, VHF) – geradas a partir de freqüências entre 150 kHz e 300 MHz, gerando um nível de sinal-ruído alterado. Existe uma distância adequada para proteger o sistema de telecomunicações contra essas interferências; em média, deve ser mantida a distância de 2 km entre as linhas de transmissão e as torres de rádio.
• Perturbações conduzidas e radiadas – equipamentos emissores de rádio-frequência, sobretudo portáteis, que podem provocar queima ou desligamento de painéis elétricos, UPS; neste caso, é importante definir áreas onde tais equipamentos podem ser usados, sem causar interferências com os equipamentos já instalados na área industrial.
Nota: Não existe atualmente, no Brasil, um padrão de testes e projeto para a instalação de equipamentos eletrônicos sensíveis, levando em consideração os requisitos de compatibilidade eletromagnética.

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