Os motivos do apagão do dia 25/10/12

O Sistema Interligado Nacional (SIN) traz a grande vantagem da interconexão das malhas de transmissão de energia elétrica, por todo o território nacional, interligando as fontes de geração de energia elétrica às cargas.

Isso implica dizer que problemas locais, como a seca na Região Nordeste (que provoca o baixo nível de água nas represas das usinas hidrelétricas), trazem menos impacto ao fornecimento de energia elétrica, uma vez que outras fontes geradoras, em outros locais do país, podem ser acionadas (como usinas termelétricas na Região Sudeste, por exemplo)  e assim suprir o fornecimento em pontos geograficamente muito separados.

Contudo, no SIN a interconexão das malhas provoca uma certa dependência de um sistema de proteção seletivo (ou seja, no qual apenas o trecho defeituoso seja isolado, desconectado da rede, pela atuação da proteção mais próxima do ponto de defeito) e coordenado (no qual o dispositivo de proteção com atuação mais rápida isole logo o defeito), sob pena do descarte de cargas em cascata e da desconexão de ramais de linhas de transmissão, nas quais vai atuando a proteção de retaguarda.

Segundo relato do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o apagão do dia 25/10/12 teve como causa um curto-circuito num capacitor-série de um equipamento elétrico de uma das subestações da CHESF. E que este curto-circuito chegou a provocar um princípio de incêndio. A pergunta é: “por que a proteção mais próxima do local de defeito (seletividade) não atuou, e de forma rápida, a ponto de isolar o defeito (coordenação)?”

Um relé multifunção de proteção elétrica, microprocessado, é um dispositivo eletrônico inteligente (IED), com funções de proteção, registro de eventos do sistema elétrico, parametrização e ajustes de curvas de proteção; ele leva de 100 a 200 ms em média para atuar por sobrecorrente. Existem relés específicos para monitoramento e proteção contra arco elétrico que já levam 10 vezes menos tempo para atuar. Contudo, relés de proteção eletromecânicos têm curvas de ajuste de proteção com atuação mais lenta, às vezes com performance próxima das curvas de fusíveis, e o tempo de abertura e fechamento dos contatos mecânicos também eleva sobremaneira o tempo de atuação do dispositivo.

Este tipo de seletividade dita temporal, na qual os dispositivos de proteção mais à montante são ajustados com um tempo incremental para atuação, apresenta a grande desvantagem da perda de coordenação elétrica, tornando pouco eficaz a proteção. Já a seletividade lógica, é baseada na interconexão dos relés, geralmente IEDs, por uma rede de comunicação; ao atuar o dispositivo de proteção mais próximo do ponto de defeito, é enviada uma mensagem via rede ao dispositivo de proteção mais à montante, para que este não atue mais, evitando a necessidade da atuação da proteção de retaguarda.

É necessário, portanto, investir na modernização dos dispositivos que integram o sistema de proteção elétrica, com a finalidade de garantir a coordenação e seletividade da proteção.

É claro que danos físicos às linhas de transmissão, como ruptura de cabos e incêndios provocados pelo atear fogo em terrenos próximos às linhas de transmissão, dentre outros, são problemas que afetam a transmissão de energia elétrica e causam paradas não programadas. Mas mesmo nestes casos, com uma proteção bem ajustada, o ponto de defeito é rapidamente isolado e o impacto da falta é significativamente menor.

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