Discussão sobre a suportabilidade térmica e mecânica de cabos a descargas atmosféricas

Lendo o livro do Geraldo Kindermann, intitulado “Proteção contra Descargas Atmosféricas em Estruturas Edificadas”, 4ª ed, pág. 96, encontrei as duas citações a seguir:

“Conforme item 1.13, a energia do raio é pequena e seu tempo de atuação é pequeno. Portanto, devido ao raio, o calor gerado dentro do condutor é pequeno, produzindo uma pequena elevação de temperatura, que de modo algum compromete as características físicas e químicas do material do cabo de descida”.

Além disso,

“O dimensionamento do cabo de descida é feito consorciando os efeitos térmicos e efeitos mecânicos, aos quais o cabo está sujeito. Os esforços mecânicos são devidos ao seu tracionamento, causado pelo estendimento do cabo na horizontal, na vertical ou inclinado, devido à distribuição do seu próprio peso. Conforme item 3.16, distribuindo-se adequadamente os espaçadores ou os grampos nas paredes, controlam-se os esforços mecânicos no cabo de descida. Não haverá esforço mecânico se o cabo estiver embutido no reboco da parede da estrutura”.

O estudo (e possível contestação) dessas afirmações leva à discussão sobre a suportabilidade térmica e mecânica de cabos a descargas atmosféricas.

Bem, foi realizado um trabalho realizado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná com cabos do tipo Optical Ground Wire (OPGW), disponível na Internet, BORDUCHI et. al., o qual mostra que conforme a ABNT NBR 14074:2009 – Cabos para-raios com fibras ópticas (OPGW) para linhas aéreas de transmissão – requisitos e métodos de ensaio, quando o cabo é submetido ao ensaio de descarga atmosférica (aplicação de cinco descargas em cinco corpos de prova distintos), após sua realização, devem ser verificados os efeitos causados pelo ensaio.

A conclusão deste estudo é que após a aplicação das descargas, houve discreto rompimento dos fios, com perda de material e depósito de material fundido. Foi observada também uma certa variação da atenuação (o que afetaria uma transmissão de dados em smartgrids), mas nada relevante quanto às características elétricas.

Sendo assim, o fator tempo é mesmo o mais relevante para que não haja comprometimento significativo da integridade física dos cabos. Lembrando, outrossim, que sempre após qualquer ocorrência de raios, toda a instalação do SPDA deve ser inspecionada, conforme item 6.2e da NBR5419.

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