A gota d’água do Movimento Gota D’água

O Movimento Gota D’água (http://http://movimentogotadagua.com.br) foi criado, segundo informações do próprio site, com a finalidade de reivindicar e fomentar a discussão para decisões importantes, que interfiram na vida em Sociedade, impliquem em impactos ambientais e representem qualquer tipo de decisão substancial para a população. Na verdade o objetivo principal, ao meu ver, é fomentar a discussão para estes assuntos.

Acredito, em particular, que o objetivo é válido, nobre e muito oportuno, pois infelizmente não temos a prática de reivindicar, emitir nossa opinião e lutar pelo que queremos. Geralmente, somos sujeitos passivos das importantes decisões de nossa Sociedade.

O que motivou a escrever este post é exatamente a questão energética do assunto.

No vídeo disponível no próprio site, diversos atores discorrem livremente sobre os impactos ambientais da implantação de uma usina hidrelétrica, o uso de fontes alternativas de energia limpas, os custos deste investimento e da importância de discutir o assunto. Louvável, portanto.

Contudo, em termos práticos, em termos de Energia, como é que se resolve tecnicamente a questão? Todos conhecemos a importância e tendência de diversificação da matriz energética mundial (e o Brasil se inclui, claro), mas…e a capacidade de geração de energia comparando a fonte solar e a hidrelétrica, por exemplo – dá pra comparar?

Apenas para citar um exemplo, a COELBA no Programa Luz Para Todos do Governo Federal, adquiriu e disponibilizou para clientes muito remotos das linhas de distribuição elétricas existentes, kits de geração de energia autônomos, à base da conversão de energia solar em elétrica, através de placas fotovoltaicas. Lógico que o kit possuía outros elementos desenvolvidos na época pela Kyocera Solar (controlador de demanda, bancos de baterias, etc) e o preço final para a concessionária girou em torno de R$17.000,00 por unidade. Este “kit solar” era cedido pela concessionária na condição de usufruto do cliente, voltado para clientes de baixíssimo consumo (inferior a 100 kWh/mês). Em termos práticos, isso dá aproximadamente a alimentação elétrica de algumas lâmpadas, tomadas (para ligar uma tv de 14″ e um rádio-relógio, no máximo uma geladeira). Ou seja, a capacidade de geração de energia de uma fonte solar, por exemplo, é diretamente proporcional à capacidade de conversão de energia de suas placas fotovoltaicas, e esta capacidade, por sua vez, é proporcional à dimensão (área) destas placas, para captação da radiação solar. E esta estrutura ainda é muito cara, gerando um alto investimento de implantação, embora seja uma tecnologia limpa. Agora, vamos extrapolar, e pensar numa usina solar. Quantas placas fotovoltaicas seriam necessárias para alimentar uma cidade? Não é preciso ser engenheiro eletricista para analisar que a princípio, não é tão viável quanto parece…

O Brasil tem infraestrutura para isso? Para incorporar estas fontes, assumir estes investimentos? Ok, as hidrelétricas geram fortes impactos ambientais na sua implantação, mas ninguém quer pagar mais caro por uma tarifa que terá que ser renegociada, afinal, os investimentos têm que sair de algum bolso!

Concordo que o assunto precise ser discutido, mas considerando todos os pontos; observo uma motivação preponderantemente ambiental…ok, é importantíssimo preocupar-se com o meio ambiente, mas também é preciso ser prático e eficaz em termos de Energia.

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